sábado, 28 de janeiro de 2012

O dilema de 2012 nas eleições municipais da capital

por Paulo Diniz
(publicado na edição de 7/6/2011 de O Tempo - Belo Horiuzonte, Minas Gerais)

  A eleição de 2012 em Belo Horizonte já começou, e está sendo acompanhada muito de perto por todo o Brasil. Um dos motivos que tornam as articulações de nossa capital tão interessante é a definição sobre o futuro da aliança PT-PSDB, que mesmo informal, é um fato concreto em Belo Horizonte.
  Atingindo destaque nacional em 2008, a aliança entre PT e PSDB em torno de um mesmo candidato a prefeito suscitou esperanças, polêmicas ferozes e, sobretudo, muitas dúvidas ao longo de todo o espectro político brasileiro; afinal, seria mesmo a aludida “convergência” uma tendência nacional? Após a vitória, a convivência difícil e a disputa por espaços institucionais no âmbito da Prefeitura de Belo Horizonte serviram para fortalecer os argumentos daqueles que se opunham à união, ainda em 2008.
  Entretanto, o raciocínio aparentemente simples e lógico, que pressiona para o rompimento da aliança, esbarra sempre no receio de se sair derrotado em outubro do ano que vem. O que seria pior, então: ter o poder dividido, ou não ter poder algum? Concorrer sozinho – e ser derrotado – significa ainda mais, pois também levaria petistas (ou tucanos) a abrir mão do trabalho que realizaram na Prefeitura de Belo Horizonte nos últimos anos, deixando ao adversário todas as glórias do sucesso. O personalismo que marca as eleições brasileiras torna bastante difícil, em plena campanha, convencer o eleitor de que o sucesso tem muitos responsáveis, em diversos graus de mérito.
  O dilema de tucanos e petistas se acirra também devido ao fator tempo. Abandonar a aliança em torno de Márcio Lacerda pode até não ser necessário, desde que o outro adversário o faça primeiro. Restaria ao persistente, assim, o papel de principal ator político no cenário da Capital, em posição privilegiada para a contenda estadual de 2014.
  Tendo em mente tais aspectos, pode-se compreender melhor as várias declarações – muitas delas, aparentemente contraditórias – feitas por lideranças políticas municipais do PT e do PSDB a respeito da formação de alianças para 2012. Permanecer juntos constitui o pior cenário para todos, porém há muito em risco para que cada parte se lance a tomar atitudes precipitadas – ou, unicamente de cunho ideológico.
Pressionado em mais de uma ocasião, o prefeito Márcio Lacerda tem se esquivado como pode, evitando demonstrar qualquer preferência. Afinal, como manda o jargão da política, “apoio não se questiona, agradece”.

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